Enquanto o Mestre dá, os discípulos COBRAM?

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Enquanto o Mestre dá, os discípulos COBRAM?


Certa vez, quando participava da liderança de um departamento da igreja, eu mais os outros líderes organizávamos um congresso da nossa congregação, e como de costume, não poderia faltar aquele pregador um pouco mais famoso, quer dizer, mais conhecido, para que a sua própria presença já ajudasse na divulgação do congresso para enchermos o local no dia. Porém, quando eu ligava para um jovem pregador que estava nas paradas de sucesso das igrejas, me deparei com algo estranho ao conversar com a sua empresaria. Ela me questionava porque que eu entrei em contato para convidar o pregador apenas 2 meses antes do congresso, eu o tinha deixado como última opção, questionou ela. No momento, eu já havia ficado sem reação, só que o pior estava por vir, no decorrer da conversa, depois desse questionamento dela, a mesma afirmou que o jovem pregador não tinha mais agenda para essa data, mas que ele tinha um amigo pregador que poderia ir no lugar dele, do qual ela também era empresaria, e que eu poderia ainda fechar um “pacote” especial com ela para levar o irmão do jovem pregador, que tinha acabado de lançar o seu mais novo CD. Eu traria o outro pregador e mais um cantor com um desconto se eu fechasse o pacote especial!!!! A única coisa que eu conseguia pensar no momento era “Pacote? Isso não é coisa de empresa de viagens?” hahaha. Talvez, você que esteja lendo, possa até achar isso normal, mas como você se sente quando lembra que Cristo nos DEU a salvação e nós simplesmente COBRAMOS para anuncia-la para as outras pessoas? Enquanto o Mestre dá, os discípulos COBRAM? Legal esse evangelho que vivemos!

Porém, mesmo com esse questionamento, não viso aqui denegrir a imagem da oferta para quem é ministro. Muito pelo contrário, creio que temos que ajudar aqueles que vivem para o evangelho, para o avanço do Reino. 
 “Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (1Co 9. 13-14)
 
A grande questão é em relação a cobrar, estipular valores. Pois se você realmente vive para que o evangelho seja pregado, você não irá deixar que nada o limite nessa questão, que nada pare a progressão do evangelho. Por isso quando estipulo valores, eu vivo uma contradição, pois se alguma igreja não tem condições de bancar o meu valor, eu não irei ministrar lá e logo eu estarei colocando algo mais importante que pregar o evangelho, receber para fazer isso. O que é mais importante, as boas novas ou a recompensa que posso receber dos homens para pregar as boas novas? Um verdadeiro ministro que declara viver para o evangelho, o faz por amor a essa mensagem salvadora, não conseguindo mais viver sem anuncia-la. Ele entrega sua vida, ele entrega o seu tempo por amor daquele que o salvou.

Existem ainda muitas outras passagens que Paulo nos ensina a ofertar para aqueles que se esforçam em nos ensinar as escrituras, ele chega citar em 1Tm 5.17, sobre dobrar os honorários dos presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Mas essa é uma palavra de estimulo para que nós ofertemos com um coração mais generoso e grato aqueles que nos ensinam as sagradas escrituras e não para que os ministros cobrem mais para fazerem isso. Até porque o próprio Paulo vai afirmar em várias passagens que ele trabalhava e que mesmo recebendo muitas ajudas das igrejas, ele não queria ser um peso para nenhuma delas.
Porque, certamente, vos recordais, caros irmãos, do nosso dedicado e extenuante ministério; e de como, noite e dia, trabalhamos para não vivermos à custa de nenhum de vós, enquanto vos comunicávamos o Evangelho de Deus. (1 Tessalonicenses 2.9)

A problemática está em torno de pessoas que fazem do evangelho um mercado, uma rede de negócios. Normalmente, em um grande congresso você vai notar o artista gospel chegando parecendo um pop-star, sempre com o melhor carro do estacionamento, com as melhores roupas e com o celular da moda para tirar uma “selfie” com os seus fãs, ops, cristãos que querem ouvir a ministração da palavra.

Entretanto, não podemos apenas acusar os comerciantes da fé de estarem cobrando, quando a raiz de todo o problema se encontra em nós, pois a podridão desse mercado na verdade não se inicia nos que cobram e sim naqueles que pagam. Eles só querem ser ídolos porque tem muito cristão dando uma fã, já dizia Rodolfo Abrantes. Essa é a verdade! É uma grande hipocrisia da nossa parte, criticarmos aqueles que cobram para fazerem a “obra”, sendo que nós vamos la e pagamos, lotamos o seus eventos e ainda brigamos para tirar nossa foto com eles. Criticamos quando eles cobram como celebridades, mas os tratamos como celebridades!

Se eles pecam quando cobram, somos nós que patrocinamos esse pecado. Se em vez de cultos, o que tem acontecido são shows, a culpa é de quem tem comprado os ingressos. Até quando vamos continuar criticando os artistas e continuar pedindo autógrafos? Até quando vamos chama-los de "estrelinhas", mas continuar reproduzindo e aplaudindo tudo que eles fazem.

É necessário uma grande mudança em todo o movimento evangélico, mas essa mudança deve ter início em nós. Somos nós que devemos dizer NAO. Somos nós que devemos mudar de posição. Somos nós que devemos parar com tudo isso! Não podemos nos amoldarmos ao sistema que funciona no mundo. Sejamos livres e entendamos que o evangelho não veio trazer um reino físico, não veio gerar um mundo pop, e nem transformar um ministério em um veículo de fama, muito menos honrar o homem com riquezas. Nossa grande honra já está em Cristo Jesus, pois nele somos justificados, somos salvos e nos tornamos filhos por adoção. Que seja tudo por ele!

Guilherme Borges

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