Nossa Nova Religião

09:38 Marco Cicco 0 Comments


EVANGELICALISMO E ESPIRITISMO 

Nós "crentes" (evangélicos) temos uma rixa muito grande com os Espíritas, e uma das principais controvérsias gira em torno da doutrina da reencarnação unindo-se ao fato que eles (os espíritas) se valem das escrituras para defenderem essa tese utilizando "textos isolados" dos evangelhos para afirmarem que João Batista era Elias reencarnado. Bem, nós respondemos a isso argumentando que os Espíritas não consideram o que toda a Bíblia diz a respeito dos que morrem. Dizemos que eles desconsideram, por exemplo, o famoso texto que diz: "ao homem está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo". Argumentamos que isso os obrigaria a interpretar a reencarnação de Elias como uma força de expressão utilizada para destacar as semelhanças entre Elias e João Batista... Estamos cansados de falar e ouvir isso.

Pois bem, eu comparo o movimento evangélico com sua teologia da prosperidade hoje como um espiritismo. Não na doutrina do espírito humano em si, mas no grau de desvio dos ensinamentos das Escrituras.

Como os espíritas, também nos utilizamos de textos isolados. No nosso caso, para nos convencer de que:

1 - Deus é obrigado a nos abençoar,

2 - A prosperidade financeira individual do crente é um sinal inevitável da sua fidelidade a Deus.

3 - Nós somos "deuses" e, portanto, dividimos o poder com Deus com o “poder das nossas palavras”.

4 - Que o crente genuíno não pode sofrer ou aceitar o sofrimento.

Assim como os espíritas são confrontados com o ensino geral da Bíblia sobre a vida pós-morte, qualquer leitor honesto da Bíblia irá concordar que a Bíblia do começo ao fim "detona" as ideias triunfalistas da teologia da prosperidade.

À semelhança dos espíritas, não estamos procurando aprender a Bíblia, na verdade estamos usando-a a procura de alguma brecha pra sustentar as ideais triunfalistas da nova religião capitalista que inventamos. Religião essa na qual o homem é a medida de todas as coisas, sendo Deus o servo e concretizador dos desejos humanos.

Como os espíritas, nos recusamos a nos dar ao trabalho de discutirmos e analisar minunciosamente os pontos doutrinários da bíblia de compreensão complexa usando como desculpa o uso pernicioso de "não saibais mais do que convém saber". Isso só mostra que estamos muito mais apaixonados por nossa nova religião do que pelas Santas Escrituras.

Como é raro um culto hoje que não faz menção de: "comereis o melhor desta terra" Is 1. 19 (quem comerá? os cristãos?). Estamos usando sempre os mesmos textos como: "o que ligardes na terra será ligado no céu", "não sairei daqui enquanto não me abençoares". Quando finalmente ouvimos uma parábola, adivinha: "A viúva importuna".

Parece que rasgamos as páginas da história dos amigos de Jó que tentavam encontrar um pecado na vida do amigo para justificar o seu sofrimento e no final aprenderam que nem sempre o sofrimento é causado pela falta de integridade, pode ser apenas um teste divino. Parece que fazemos vista grossa para a maior parte dos Salmos que nos apresenta a soberania de Deus contrastando com a mediocridade do homem. "Cale-se diante dele toda terra" Hb 2.20. Nas nossas Bíblias o "venha nós o teu reino, seja feita a TUA vontade" parece que evaporou. Os sofrimentos do santo homem de Deus: Paulo, os sofrimentos da igreja primitiva tão invocada em nossos cultos de exortação, parece que estão escritos em outro livro.

 Chego à conclusão de que poderíamos evitar carregar esse livro deselegante, tão extenso e exaustivo, e confeccionássemos um livro menor contendo apenas o que se usa na "NOSSA NOVA RELIGIÃO".


Marcus Vinícius 

0 comentários: