Nossa Nova Religião
EVANGELICALISMO E ESPIRITISMO
Nós "crentes" (evangélicos)
temos uma rixa muito grande com os Espíritas, e uma das principais
controvérsias gira em torno da doutrina da reencarnação unindo-se ao fato que
eles (os espíritas) se valem das escrituras para defenderem essa tese
utilizando "textos isolados" dos evangelhos para afirmarem que João
Batista era Elias reencarnado. Bem, nós respondemos a isso argumentando que os
Espíritas não consideram o que toda a Bíblia diz a respeito dos que morrem.
Dizemos que eles desconsideram, por exemplo, o famoso texto que diz: "ao
homem está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo".
Argumentamos que isso os obrigaria a interpretar a reencarnação de Elias como
uma força de expressão utilizada para destacar as semelhanças entre Elias e
João Batista... Estamos cansados de falar e ouvir isso.
Pois
bem, eu comparo o movimento evangélico com sua teologia da prosperidade hoje
como um espiritismo. Não na doutrina do espírito humano em si, mas no grau de
desvio dos ensinamentos das Escrituras.
Como
os espíritas, também nos utilizamos de textos isolados. No nosso caso, para nos
convencer de que:
1
- Deus é obrigado a nos abençoar,
2
- A prosperidade financeira individual do crente é um sinal inevitável da sua
fidelidade a Deus.
3
- Nós somos "deuses" e, portanto, dividimos o poder com Deus com o
“poder das nossas palavras”.
4
- Que o crente genuíno não pode sofrer ou aceitar o sofrimento.
Assim como os espíritas são
confrontados com o ensino geral da Bíblia sobre a vida pós-morte, qualquer
leitor honesto da Bíblia irá concordar que a Bíblia do começo ao fim
"detona" as ideias triunfalistas da teologia da prosperidade.
À semelhança dos espíritas, não estamos
procurando aprender a Bíblia, na verdade estamos usando-a a procura de alguma
brecha pra sustentar as ideais triunfalistas da nova religião capitalista que
inventamos. Religião essa na qual o homem é a medida de todas as coisas, sendo
Deus o servo e concretizador dos desejos humanos.
Como os espíritas, nos recusamos a nos
dar ao trabalho de discutirmos e analisar minunciosamente os pontos
doutrinários da bíblia de compreensão complexa usando como desculpa o uso pernicioso
de "não saibais mais do que convém saber". Isso só mostra que estamos
muito mais apaixonados por nossa nova religião do que pelas Santas Escrituras.
Como é raro um culto hoje que não faz
menção de: "comereis o melhor desta terra" Is 1. 19 (quem comerá? os
cristãos?). Estamos usando sempre os mesmos textos como: "o que ligardes
na terra será ligado no céu", "não sairei daqui enquanto não me
abençoares". Quando finalmente ouvimos uma parábola, adivinha: "A
viúva importuna".
Parece que rasgamos as páginas da
história dos amigos de Jó que tentavam encontrar um pecado na vida do amigo
para justificar o seu sofrimento e no final aprenderam que nem sempre o
sofrimento é causado pela falta de integridade, pode ser apenas um teste
divino. Parece que fazemos vista grossa para a maior parte dos Salmos que nos
apresenta a soberania de Deus contrastando com a mediocridade do homem.
"Cale-se diante dele toda terra" Hb 2.20. Nas nossas Bíblias o
"venha nós o teu reino, seja feita a TUA vontade" parece que evaporou.
Os sofrimentos do santo homem de Deus: Paulo, os sofrimentos da igreja
primitiva tão invocada em nossos cultos de exortação, parece que estão escritos
em outro livro.
Chego à conclusão de que
poderíamos evitar carregar esse livro deselegante, tão extenso e exaustivo, e
confeccionássemos um livro menor contendo apenas o que se usa na "NOSSA
NOVA RELIGIÃO".
Marcus Vinícius





























0 comentários: